Homem Moderno
“Gatinho de Cheshire”, começou, muito timidamente, por não saber se ele gostaria desse tratamento: ele, porém, apenas alargou um pouco mais o sorriso.
“Ótimo, até aqui está contente”, pensou Alice. E prosseguiu: “Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair daqui?”
“Depende muito de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“Não me importa muito onde...” foi dizendo Alice.
“Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá”, disse o Gato.
“...desde que eu chegue a algum lugar”, acrescentou Alice, explicando.
“Oh, esteja certa de que isso ocorrerá”, falou o Gato, “desde que você caminhe o bastante.”
CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. 2 ed. São Paulo, 2000.
O homem moderno é um homem sem qualidades, ele é livre para construir sua narrativa biográfica, tendo o consumo como referência.
Profa. Marília Romero falando do texto de Sílvia Pimenta.
Experiência de Consumo
Vocês lembram, na primeira aula de Comportamento do Consumidor, quando a professora pediu para os alunos descreverem uma experiêcia de consumo?
Pois aqui temos um trabalho excelete do aluno Carlos Muniz, do horário CD. Parabéns Carlos!
EXPERIÊNCIA DE CONSUMO:
Esse não era o primeiro que eu tinha, mas era diferente de todos os outros; seria completo em tudo aquilo que meu amigos haviam falado que seus carros tinham; teria todos os equipamentos necessários para ser um bom carro; eu não deixaria escapar nada que tivesse sido lançado.
Mas não foi tão simples assim. Primeiro, passei na casa dos três melhores amigos com bons carros para ter uma primeira noção do que o carro tinha que ter para estar entre os mais vistos da vizinhança. Semanas depois, vendo e revendo, já tinha me decidido. Para ser o carro perfeito ele deveria ter: o aerofólio do carro do Tiago, os quais ele mostrava com orgulho, por ser o único dos amigos a ter; não podiam faltar os aros espelhados que tinham no do André, além do jeitão de carro de corrida do carro do Guilherme. Já podia até imaginar, seria tudo o que eu sempre quis na vida e não podia esperar nem mais um minuto por isso.
Chegando à loja, não demorou muito pra eu encontrar ele ali, parado na vitrine como quem olhava para mim, com todos os itens recomendados, brilhando mais que todo o resto da loja, que passava a não importar mais. Quase nem notei quando a atendente chamou perguntando se era aquele mesmo que eu queria; era como se não houvesse mais som algum e já desse pra imaginar o barulho do motor. A moça de cabelos enrolados e olhos claros me perguntava, com um sorriso no rosto, se era pra embrulhar pra presente, e eu, respondendo com um sorriso maior ainda, quase que gritando de entusiasmo, disse: “- Sim! Pode empacotar!”. E meus pais, que não podiam estar fora desse momento, olhando para a minha felicidade com o produto nas mãos, não puderam deixar de comprar. Era meu primeiro carro de controle remoto, com alcance sem limite de distância, ele iria até onde eu pudesse imaginar, o melhor presente aos seis anos de idade.
E aí? Vocês gostaram? Podem aguardar mais trabalhos da disciplina.
Pois aqui temos um trabalho excelete do aluno Carlos Muniz, do horário CD. Parabéns Carlos!
EXPERIÊNCIA DE CONSUMO:
Esse não era o primeiro que eu tinha, mas era diferente de todos os outros; seria completo em tudo aquilo que meu amigos haviam falado que seus carros tinham; teria todos os equipamentos necessários para ser um bom carro; eu não deixaria escapar nada que tivesse sido lançado.
Mas não foi tão simples assim. Primeiro, passei na casa dos três melhores amigos com bons carros para ter uma primeira noção do que o carro tinha que ter para estar entre os mais vistos da vizinhança. Semanas depois, vendo e revendo, já tinha me decidido. Para ser o carro perfeito ele deveria ter: o aerofólio do carro do Tiago, os quais ele mostrava com orgulho, por ser o único dos amigos a ter; não podiam faltar os aros espelhados que tinham no do André, além do jeitão de carro de corrida do carro do Guilherme. Já podia até imaginar, seria tudo o que eu sempre quis na vida e não podia esperar nem mais um minuto por isso.
Chegando à loja, não demorou muito pra eu encontrar ele ali, parado na vitrine como quem olhava para mim, com todos os itens recomendados, brilhando mais que todo o resto da loja, que passava a não importar mais. Quase nem notei quando a atendente chamou perguntando se era aquele mesmo que eu queria; era como se não houvesse mais som algum e já desse pra imaginar o barulho do motor. A moça de cabelos enrolados e olhos claros me perguntava, com um sorriso no rosto, se era pra embrulhar pra presente, e eu, respondendo com um sorriso maior ainda, quase que gritando de entusiasmo, disse: “- Sim! Pode empacotar!”. E meus pais, que não podiam estar fora desse momento, olhando para a minha felicidade com o produto nas mãos, não puderam deixar de comprar. Era meu primeiro carro de controle remoto, com alcance sem limite de distância, ele iria até onde eu pudesse imaginar, o melhor presente aos seis anos de idade.
E aí? Vocês gostaram? Podem aguardar mais trabalhos da disciplina.
Trechos retirados da música:
Eduardo e Mônica - Legião Urbana
"Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram.
(...)
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema
clube, televisão".
(...)
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar...
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (nããão)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular"
Balada de Madame Frigidaire - Belchior
Colaboração de Suelene de Paula Filgueiras
Ando pós-modernamente apaixonado pela nova geladeira.
Primeira escrava branca que comprei, veio e fez a revolução.
Esse eterno feminino do conforto industrial injetou-se em minha veia, dei bandeira!
e ao por fé nessa deusa gorda da tecnologia gelei de pura emoção!
Ora! desde muito adolescente me arrepio ante empregada debutante.
Uma elétrica doméstica então... Que sex-appeal! Dá-me o frio na barriga!
Essa deusa da fertilidade, ready made a la Duchamp, já passou de minha amante
Virou super-star, a mulher ideal, mais que mãe, mais que a outra... Puta amiga!
Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope se cansaram de dizer:
Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, Família pra quem já tem frigidaire?
É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher.
Eu me confundo, madame! E a classe média que mame se o céu, a prazo, se der!
Que brancorno abre e fecha sensual dessa Nossa Senhora Ascéptica!
Com ela eu saio e traio a televisão, rainha minha e de vocês.
Dona frigidaire me come... But no kids double income! Filho compromete a estética!
Como Edipo-Rei momo, como e tomo tudo dela... Deleites da frigidez!
Inventores de Madame Frigidaire, peço bis! Muito obrigado!
Afinal, na geladeira, bem ou mal, pôs-se o futuro do país.
E um futuro de terceira, posto assim na geladeira, nunca vai ficar passado.
Queira Deus que no fim da orgia, já de cabecinha fria, eu leve um doce gelado!
Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope, se cansaram de dizer:
- Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, e Família pra quem já tem frigidaire?
É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher...
Mas que trocadilho infame! La vraie Ballade des Dames du Temps Jadis... au contraire!
Você é senhor ou escravo do relógio?
Pelos alunos: Juliana Joca e Victor Eleutério.
"Quando falo do tempo é porque ele já não existe".
Quando se "tem" tempo é porque já não é "livre".
(Baudrillard)
